Tendências: Especialistas indicam os rumos do transporte urbano para os próximos anos
Os números do IBGE confirmam o que o motorista de VUC já percebe na prática: o transporte urbano de carga segue acelerando. O setor de Transporte, Armazenagem e Correio cresceu 1,0% no segundo trimestre de 2025, enquanto o PIB nacional subiu 0,4% no mesmo período, segundo o instituto. Ou seja, a economia pode até andar em ritmo moderado, mas o transporte urbano continua acelerando o movimento.
Com esse cenário, especialistas destacam quatro tendências que devem impactar o setor nos próximos anos — e que já começam a mudar o dia a dia de quem trabalha com carga leve nas cidades.

1 Conexão entre as ruas e o digital
A digitalização chegou de vez à logística. Plataformas de frete, rastreamento em tempo real e gestão de rotas estão transformando o jeito de transportar nas cidades. Segundo o GitnuxReport 2025, 72% das empresas de logística já adotaram inteligência artificial em suas operações, reduzindo tempo de entrega e aumentando a eficiência.
Para André Pimenta, CEO da Motz, essa transformação vai além da tecnologia: “mais do que processos logísticos, o setor de transporte vem se consolidando como um verdadeiro motor de transformação ao se tornar um ecossistema integrado, que valoriza a automação e, ao mesmo tempo, o lado humano da operação. As organizações que conseguirem acompanhar essa evolução vão ter uma vantagem competitiva decisiva nos próximos anos”, afirma.
Na prática, isso significa que o motorista urbano passa a fazer parte de uma engrenagem mais conectada, em que o aplicativo, a rota e a entrega falam a mesma língua.
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2 Integração logística que gera valor
No Brasil, cerca de 18,8% do PIB é consumido pelos custos logísticos. Diante disso, as empresas têm buscado soluções que integrem toda a cadeia, do embarcador ao motorista.
A empresa de software nstech defende um modelo ecossistêmico e colaborativo, em que a informação flui entre todos os elos. Com mais de 100 soluções tecnológicas e 75 mil clientes, a companhia aposta em uma logística sem barreiras:
“A proposta é estabelecer uma relação colaborativa, ganha-ganha e dinâmica, contemplando todas as etapas da jornada logística na plataforma integrada da nstech, capaz de endereçar diferentes dores e eliminar os trade-offs, independente da etapa de desenvolvimento logístico em que o cliente se encontra.”
Essa integração traz reflexos diretos para quem está na rua: menos burocracia, mais previsibilidade e maior aproveitamento de rotas.
3 Eficiência guiada pela modernização
Os investimentos em inovação no transporte de cargas não param de crescer. De acordo com o Instituto Brasil Logística (IBL), o volume aplicado no setor saltou de R$ 34,3 bilhões em 2022 para R$ 63 bilhões em 2024, um aumento de 84%.
Entre as soluções em destaque estão os sistemas de roteirização inteligente, o rastreamento em tempo real e os veículos com condução assistida, que reduzem perdas e aumentam a segurança.
Para Alice Ana Paiva, diretora comercial da Tragetta, a tecnologia é o diferencial competitivo do momento: “Tecnologias como rastreamento em tempo real e sistemas avançados de gestão são essenciais para minimizar perdas comuns, como o desperdício de produtos perecíveis ou atrasos. Ao incorporar esse tipo de inovação, conseguimos entregar mais segurança e eficiência em cada etapa da operação.”
Para o motorista urbano, esse movimento se traduz em mais previsibilidade, menos tempo parado e rotas mais seguras, três fatores que fazem diferença no bolso e na rotina.

4 Proteção estratégica para frotas e transportadores
Outra tendência é a ampliação dos seguros personalizados para frotas, motoristas e operações. O seguro de transporte de cargas, que antes era visto apenas como obrigação, começa a ser encarado como uma ferramenta de gestão de risco.
Segundo Anderson Dineis, gerente de negócios da TruckPag Seguros, ainda existe um desafio cultural no setor. “Muitas transportadoras enxergam o seguro apenas como um custo e não como um investimento estratégico. Além disso, falta conhecimento sobre as coberturas disponíveis ou existe a crença de que problemas graves, como roubos e acidentes, não vão acontecer. Essa mentalidade coloca toda a operação em risco.”
Com apólices sob medida, que consideram o tipo de carga, a região de operação e o perfil do condutor, o motorista e a transportadora passam a ter respaldo técnico e financeiro para continuar rodando mesmo diante de imprevistos.
O futuro passa pela cabine
Os números confirmam: a logística urbana vive um momento de transformação acelerada, e o motorista de VUC é parte essencial dessa mudança. A tecnologia, a integração e a segurança só fazem sentido quando chegam até quem conduz o trabalho nas ruas.
No fim das contas, o que move o setor é o mesmo de sempre — gente que trabalha, entrega e mantém as cidades em movimento.
